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	<title>Talidade &#187; Fome</title>
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	<description>Não acredite! Não dúvide! Não Pense! Reflita!</description>
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		<title>Vai ter para todo mundo?</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 19:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Realito</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify"><img height="85" alt="" width="85" align="right" src="http://talidade.com.br/wp-content/uploads/2008/10/especial3.gif" />O <strong>pre&ccedil;o dos alimentos</strong> disparou, e o aumento m&eacute;dio no mundo passa dos 80%. A <strong>crise atual</strong>, a pior dos &uacute;ltimos trinta anos, &eacute; um grito de alerta sobre uma quest&atilde;o que pouca gente ousa discutir: o planeta mal consegue alimentar 6,7 bilh&otilde;es de bocas hoje. O que ocorrer&aacute; em 2050, quando seremos 9,2 bilh&otilde;es de terr&aacute;queos? <strong>A comida ser&aacute; cara e rara como nunca.</strong></div>
<div style="text-align: justify">&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify">Andr&eacute; Petry, de Nova York</div>
<div style="text-align: justify">&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify">Se tudo der certo, na noite deste domingo, precisamente &agrave;s 8h38, hora de Bras&iacute;lia, a sonda Phoenix vai pousar na regi&atilde;o norte de Marte, um peda&ccedil;o ainda n&atilde;o explorado do planeta vermelho. Sua miss&atilde;o ser&aacute; cavar a superf&iacute;cie em busca de &aacute;gua l&iacute;quida e bact&eacute;rias ou outros sinais que denunciem a possibilidade de existir vida em Marte. Na mesma hora, precisamente &agrave;s 8h38 da noite, o n&uacute;mero de crian&ccedil;as mortas no mesmo dia em todo o planeta Terra por causas relacionadas &agrave; fome ter&aacute; chegado a 14.856. S&oacute; no domingo. A <strong>f&oacute;rmula macabra</strong> &eacute; a seguinte: a cada cinco segundos <strong>morre uma crian&ccedil;a</strong> no mundo em decorr&ecirc;ncia de problemas provocados pela <strong>car&ecirc;ncia de calorias</strong> e prote&iacute;nas m&iacute;nimas para a&nbsp;<span id="1223492943138S" style="display: none">&nbsp;</span><strong>sobreviv&ecirc;ncia</strong>. &Eacute; dram&aacute;tico que a humanidade, em meio a progressos estupendos como a capacidade de escavar o solo de outro planeta em busca de vida pregressa, ainda seja assombrada pelo fantasma da fome &ndash; que ceifa a vida presente e futura na Terra. O mais dram&aacute;tico &eacute; que, durante os dez meses em que a Phoenix rasgou o &eacute;ter em dire&ccedil;&atilde;o a Marte, a situa&ccedil;&atilde;o aqui embaixo ficou ainda pior. O trigo, o milho, o leite, o a&ccedil;&uacute;car, o ovo, o frango &ndash; <strong>tudo subiu</strong>. Em alguns casos, como o do arroz, esse cereal que alimenta metade dos habitantes do planeta, o <strong>pre&ccedil;o dobrou</strong> em um ano. Pela primeira vez na hist&oacute;ria, o custo global de importar alimentos passar&aacute; de 1 trilh&atilde;o de d&oacute;lares.</div>
<div style="text-align: justify">&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify"><img height="300" alt="Filipina protesta com panela vazia: faltou dinheiro para a pesquisa do arroz - Luis Liwanag/AFP" width="201" align="right" src="http://talidade.com.br/wp-content/uploads/2008/10/especial4.jpg" />Os pobres do mundo est&atilde;o inquietos. Na Som&aacute;lia, a pol&iacute;cia dispersa multid&otilde;es famintas a tiros. Na Indon&eacute;sia, com quase metade de seus 230 milh&otilde;es de <strong>habitantes</strong> vivendo na <strong>pobreza</strong>, cada aumento de 10% no pre&ccedil;o do arroz joga 2 milh&otilde;es de pessoas na mis&eacute;ria absoluta. No Haiti, os pre&ccedil;os altos derrubaram o governo. Na Mal&aacute;sia, pa&iacute;s nem t&atilde;o pobre assim, o governo andou balan&ccedil;ando. No M&eacute;xico, protestos de rua contra o pre&ccedil;o das tortillas assustaram as autoridades. Na Tail&acirc;ndia, um dos celeiros de arroz do planeta, h&aacute; mercados limitando a compra do produto por cliente. Na Argentina, assolada pelo populismo da presidente Cristina Kirchner, os panela&ccedil;os voltaram a ser ouvidos, com produtores rurais reagindo contra medidas do governo e consumidores irritados com a escassez nos supermercados. Existem situa&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas no Paquist&atilde;o, no Egito, no Senegal. Em Gana, Bangladesh, Mianmar. H&aacute; fome na Cor&eacute;ia do Norte, na Eti&oacute;pia. No Brasil, o quadro &eacute; mais confort&aacute;vel, mas um peda&ccedil;o da crise mundial chegou ao pa&iacute;s, com o pre&ccedil;o dos alimentos ultrapassando a m&eacute;dia da infla&ccedil;&atilde;o. No Pal&aacute;cio do Planalto, estuda-se aumentar em 5% o benef&iacute;cio concedido pelo Bolsa Fam&iacute;lia para compensar a alta nos pre&ccedil;os.</div>
<div style="text-align: justify">&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify">&quot;Estamos vivendo a pior crise dos &uacute;ltimos trinta anos&quot;, alarma-se o economista <strong>Jeffrey Sachs</strong>, professor da Universidade Col&uacute;mbia, em Nova York, e conselheiro especial de Ban Ki-moon, secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). <strong>E n&atilde;o vai melhorar</strong>. Um relat&oacute;rio da FAO, a entidade da ONU que cuida dos alimentos e da agricultura no mundo, acabou de sair do forno em Roma, trazendo <strong>previs&otilde;es sombrias</strong>. O documento, divulgado na quinta-feira passada, diz que <strong>os alimentos n&atilde;o voltar&atilde;o a ser baratos como antes</strong>. A comida mais cara, portanto, chegou para ficar. &Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o que deixa ainda mais vulner&aacute;veis 850 milh&otilde;es de pessoas ao redor do planeta, uma massa cronicamente subnutrida que vive sempre sob o espectro da fome. Antes, uma an&aacute;lise elaborada por uma equipe do Banco Mundial j&aacute; fazia previs&otilde;es parecidas. Dizia que os pre&ccedil;os ficar&atilde;o altos at&eacute; 2009, quando ent&atilde;o come&ccedil;ar&atilde;o a cair. A queda, por&eacute;m, n&atilde;o ser&aacute; acentuada, e os pre&ccedil;os ficar&atilde;o &quot;bem acima&quot; do n&iacute;vel registrado em 2004. O Banco Mundial calcula que a situa&ccedil;&atilde;o ficar&aacute; como est&aacute;, amea&ccedil;adora e preocupante, pelo menos at&eacute; 2015. E em 2015 a popula&ccedil;&atilde;o mundial ter&aacute; cerca de 600 milh&otilde;es de bocas a mais para alimentar. &Eacute; o equivalente a quase tr&ecirc;s Brasis a mais. <strong>Vai dar?</strong></div>
<div style="text-align: justify">&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify">Em 1798, o economista ingl&ecirc;s <strong>Thomas Malthus</strong> previu que a humanidade se afundaria em guerras e doen&ccedil;as porque a fome reinaria no planeta. Seus c&aacute;lculos indicavam que a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos crescia em ritmo aritm&eacute;tico (1, 2, 3, 4&#8230;) e a popula&ccedil;&atilde;o aumentava em ritmo geom&eacute;trico (1, 2, 4, 8&#8230;). Malthus errou tudo. Em seu tempo, n&atilde;o tinha como prever a inven&ccedil;&atilde;o dos fertilizantes, que fizeram disparar a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, ou dos contraceptivos, que permitiram planejar o tamanho das fam&iacute;lias em sociedades mais afluentes. Agora, no entanto, come&ccedil;a a ganhar f&ocirc;lego no meio acad&ecirc;mico a escola dos <strong>neomalthusianos</strong>. Eles acham que a armadilha agora &eacute; gente demais vivendo num meio ambiente degradado demais. Em 2050, prev&ecirc;-se, seremos 9,2 bilh&otilde;es de pessoas &ndash; ou 2,5 bilh&otilde;es a mais do que hoje. Em seu &uacute;ltimo livro, <strong>Jeffrey Sachs</strong> arrasta uma asa para o <strong>neomalthusianismo</strong> e faz um apelo para que o total de habitantes n&atilde;o passe de 8 bilh&otilde;es at&eacute; 2050. Escreve Sachs: &quot;A atual trajet&oacute;ria econ&ocirc;mica, demogr&aacute;fica e ambiental do mundo &eacute; insustent&aacute;vel&quot;. Ele defende a &quot;coopera&ccedil;&atilde;o global&quot; para salvar o planeta e superar &quot;o paradoxo de uma economia global unificada e uma sociedade global dividida&quot;.</div>
<div style="text-align: justify">&nbsp;</div>
<div style="text-align: center"><img height="182" alt="" width="325" align="middle" src="http://talidade.com.br/wp-content/uploads/2008/10/especial6.gif" />&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify">&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify">A <strong>crise atual</strong> decorre de uma combina&ccedil;&atilde;o de causas: colheitas ruins, especula&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os, aumento excepcional do barril de petr&oacute;leo e a explos&atilde;o dos biocombust&iacute;veis. Mas o que ajudar&aacute; a perpetuar o problema &eacute; o aumento do consumo de alimentos, sobretudo na China e na &Iacute;ndia, as locomotivas asi&aacute;ticas que, juntas, t&ecirc;m mais de um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o mundial. A China, em especial, tem peso fenomenal. Se cada chin&ecirc;s comer um frango a mais, dentro de cinco anos explodir&aacute; o mercado de milho, a ra&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica da ave. <strong>&quot;O frango &eacute; um milho com asa&quot;</strong>, brinca o professor <strong>Mauro de Rezende Lopes</strong>, economista da <strong>Funda&ccedil;&atilde;o Getulio Vargas</strong>, no Rio de Janeiro. &quot;E, quanto maior o poder aquisitivo, mais carne as pessoas consomem.&quot; Com a economia crescendo a 10% e o consumo de calorias aumentando 20%, a China, essa terra onde aconteceram mais de 1 500 ondas de fome na era crist&atilde;, est&aacute; formando uma imensa classe m&eacute;dia &ndash; que quer comer carne. O problema &eacute; que, para cada quilo de carne que a vaca engorda, s&atilde;o necess&aacute;rios 8 quilos de gr&atilde;os para aliment&aacute;-la. Considerando que boa parte &eacute; gordura e osso, a conta muda: para cada quilo de carne boa v&atilde;o 13 quilos de gr&atilde;os. &Eacute; preciso produzir isso tudo.</div>
<div style="text-align: justify">&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify">&quot;Temos de acreditar que seremos capazes de dar de comer a todos e tomar as provid&ecirc;ncias necess&aacute;rias&quot;, diz o estudioso <strong>David Orden</strong>, do International <strong>Food Policy Research Institute</strong>, em Washington, e professor da Universidade Virginia Polytechnic. As provid&ecirc;ncias foram deixando de ser tomadas. Na d&eacute;cada de 60, com a popula&ccedil;&atilde;o crescendo mais que a produ&ccedil;&atilde;o de comida, uma crise se avizinhava, mas foi espantada pela &quot;revolu&ccedil;&atilde;o verde&quot;, que multiplicou a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos. &Iacute;ndia e Paquist&atilde;o adotaram novas sementes, irriga&ccedil;&atilde;o, fertilizantes. O processo foi capitaneado por um velhinho simp&aacute;tico, o agr&ocirc;nomo <strong>Norman Borlaug</strong>, que hoje, aos 94 anos, morando no Texas, ainda tenta trabalhar nos intervalos entre uma hospitaliza&ccedil;&atilde;o e outra, sempre sob os cuidados de uma neta. Da revolu&ccedil;&atilde;o verde para c&aacute;, com comida farta e barata, investimentos foram sumindo e pesquisas, minguando. Pa&iacute;ses que n&atilde;o plantavam n&atilde;o se preocupavam em faz&ecirc;-lo. Existia alimento de sobra. H&aacute; mais de duas d&eacute;cadas, o ministro americano da Agricultura, <strong>John Block</strong>, disse que a proposta de que os pa&iacute;ses pobres deveriam produzir o pr&oacute;prio alimento era &quot;um anacronismo de eras passadas&quot;, ou seja, eles podiam comprar os produtos americanos, fartos e baratos. Assim, o mundo foi-se esquecendo de cuidar da agricultura. Um exemplo financeiro. Em 1980, o Banco Mundial desembolsou 7,7 bilh&otilde;es de d&oacute;lares para empr&eacute;stimos agr&iacute;colas. Em 2004, foram apenas 2 bilh&otilde;es.</div>
<div style="text-align: justify">&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify">Em paralelo, intensificou-se a urbaniza&ccedil;&atilde;o. Neste ano, ocorreu a virada: <strong>pela primeira vez na hist&oacute;ria da humanidade h&aacute; mais gente vivendo na cidade do que no campo</strong>. No campo, produz-se o que se come na cidade. <strong>Isso significa que h&aacute; menos gente produzindo para mais gente</strong> &ndash; e, quando isso acontece, &eacute; preciso ter boa distribui&ccedil;&atilde;o da comida. Nos Estados Unidos, as fam&iacute;lias rurais s&atilde;o 1% da popula&ccedil;&atilde;o e alimentam 99%. &quot;Talvez metade da fome global seja problema de infra-estrutura e distribui&ccedil;&atilde;o&quot;, diz <strong>Josette Sheeran</strong>, que comanda o <strong>Programa Mundial de Alimenta&ccedil;&atilde;o</strong> da <strong>ONU</strong>, entidade que socorre v&iacute;timas da fome mundo afora. Recentemente, Sheeran ganhou as manchetes globais ao dizer, diante do Parlamento ingl&ecirc;s, que a crise atual &eacute; um &quot;<strong>tsunami silencioso</strong>&quot;. Uma forma de combat&ecirc;-lo &eacute; melhorar a distribui&ccedil;&atilde;o. A produ&ccedil;&atilde;o mundial &eacute; suficiente para alimentar todos. S&oacute; que n&atilde;o chega a todos. Nos Estados Unidos, a distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; &oacute;tima, mas o <strong>desperd&iacute;cio &eacute; um esc&acirc;ndalo</strong>. Um estudo de 1995 descobriu que os americanos jogam fora 27% da comida dispon&iacute;vel para consumo. S&atilde;o n&uacute;meros assombrosos. <strong>Uma fam&iacute;lia de quatro pessoas p&otilde;e 4,7 quilos de carne e peixe no lixo todo m&ecirc;s!</strong> Se um quarto do desperd&iacute;cio fosse recuperado, daria para alimentar 20 milh&otilde;es de pessoas num dia! Se falta comida na Som&aacute;lia, onde a inseguran&ccedil;a alimentar amea&ccedil;a mais de 2 milh&otilde;es de pessoas, e sobra comida nos EUA, <strong>onde 66% da popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; acima do peso</strong>, o problema n&atilde;o est&aacute; apenas na produ&ccedil;&atilde;o.</div>
<div style="text-align: justify">&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify">N&atilde;o h&aacute; receita pronta para superar a atual crise, mas duas medidas s&atilde;o inevit&aacute;veis. A primeira, de curto prazo, &eacute; despachar ajuda imediata aos milh&otilde;es amea&ccedil;ados pela fome, de modo a evitar uma crise humanit&aacute;ria de grandes propor&ccedil;&otilde;es. A segunda &eacute; voltar a jogar dinheiro na agricultura. Num instituto de pesquisa no M&eacute;xico, desenvolveu-se um milho capaz de resistir &agrave; seca da &Aacute;frica e um trigo que sobrevive &agrave;s pragas do sul da &Aacute;sia. Mas nunca apareceu o dinheiro para que as duas variedades chegassem &agrave;s m&atilde;os dos pobres. Nas Filipinas, onde as mulheres t&ecirc;m protestado exibindo panelas vazias nas ruas, os cientistas identificaram catorze tra&ccedil;os gen&eacute;ticos que podem salvar o arroz da praga do gafanhoto, mas n&atilde;o t&ecirc;m dinheiro para executar o trabalho. &Eacute; uma neglig&ecirc;ncia inadmiss&iacute;vel. Interc&acirc;mbios s&atilde;o exeq&uuml;&iacute;veis h&aacute; s&eacute;culos: os europeus trouxeram para as Am&eacute;ricas o trigo e o cavalo e, daqui, levaram a batata, por exemplo. Como hoje uma semente n&atilde;o consegue sair do M&eacute;xico e chegar ao Togo?</div>
<div style="text-align: justify">&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify">A <strong>fome</strong> nunca se ausentou da vida humana, seja por f&uacute;ria da natureza, que criou o fungo da batata que matou 1 milh&atilde;o de irlandeses em meados do s&eacute;culo XIX, seja como conseq&uuml;&ecirc;ncia da <strong>bestialidade humana</strong>. Na II Guerra Mundial, al&eacute;m da bomba at&ocirc;mica, a fome foi uma arma poderosa. No gueto de Vars&oacute;via, onde cada judeu tinha direito a uma ra&ccedil;&atilde;o de menos de 200 calorias di&aacute;rias &ndash; o recomendado &eacute; em torno de 2.500 &ndash;, a <strong>fome</strong> estava &agrave; espreita em cada esquina dos 100 quarteir&otilde;es que abrigavam meio milh&atilde;o de judeus. A <strong>fome</strong> tamb&eacute;m matou milhares de sovi&eacute;ticos no cerco nazista a Leningrado, que ficou nove meses sem receber comida. Contando-se a hist&oacute;ria da <strong>fome</strong>, conta-se a hist&oacute;ria da humanidade. A fome est&aacute; na guerra. A fome est&aacute; na pol&iacute;tica, na forma (sempre p&uacute;blica e barulhenta) da greve de fome. A fome est&aacute; na religi&atilde;o, na forma (sempre reservada e silenciosa) do jejum, seja para judeus, cat&oacute;licos, mu&ccedil;ulmanos ou hindus. A fome est&aacute; no centro da trag&eacute;dia humana, mas sempre fomos salvos pelo engenho cient&iacute;fico do pr&oacute;prio homem. A ci&ecirc;ncia que fertilizou a terra, controlou pestes, reinventou sementes. A ci&ecirc;ncia ter&aacute;, mais uma vez, de nos salvar.</div>
<div style="text-align: justify">Se tudo der certo, a sonda Phoenix vai tirar uma fotografia de sua aterrissagem sobre o solo de Marte. A imagem percorrer&aacute; 680 milh&otilde;es de quil&ocirc;metros e, em duas horas, chegar&aacute; ao centro da Nasa, nos Estados Unidos. Durante a viagem da foto, morrer&atilde;o 1 440 crian&ccedil;as de fome no mundo.</div>
<div style="text-align: justify">&nbsp;</div>
<div style="text-align: center"><img height="358" alt="" width="549" src="http://talidade.com.br/wp-content/uploads/2008/10/especial5.jpg" /></div>
<div style="text-align: justify">&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify"><strong>Fonte: </strong><a target="_blank" href="http://veja.abril.com.br/280508/p_068.shtml" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/veja.abril.com.br/280508/p_068.shtml?referer=');">Revista VEJA&nbsp; Edi&ccedil;&atilde;o 2062&nbsp; 28 de maio de 2008</a></div>
<p style="text-align: justify"><strong>&nbsp;</strong></p>
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