Category: Era Glacial

set 14 2008

Gelo mostra mudança abrupta do clima na Terra

Um estudo do gelo da Groenlândia localizado entre 1.452 e 1.642 metros de profundidade indica que o clima se alterou abruptamente no fim da última era glacial e que a temperatura aumentou até 10C de um ano para outro.
 
A pesquisa, publicada na revista "Science", lança um alerta para os cientistas em tempos de aquecimento global: transições dramáticas e totalmente imprevistas no clima podem acontecer em períodos extremamente curtos.
 
Sune Olander Rasmussen, da Universidade de Copenhague, afirmou à Folha que é preciso criar modelos que simulem as alterações abruptas do passado e, mais importante, que verifiquem se o clima tem "pontos de virada" — a partir dos quais ele muda de repente.
 
Segundo Rasmussen, os aquecimentos observados durante a era glacial (um há 14.700 anos e outro há 11.700 anos) mostram as alterações da circulação atmosférica de um ano para o outro. A última dessas viradas climáticas deu ao planeta a cara que ele tem hoje: as geleiras que cobriam boa parte do hemisfério Norte derreteram e o nível do mar subiu cerca de 100 metros.
 
Para chegar ao resultado, pesquisadores analisaram a quantidade de poeira, a composição da água e do ar preso no gelo. O gelo também indica que o aquecimento é iniciado com mudanças nas monções da região tropical, o que altera os padrões climáticos subitamente no pólo.
 
De acordo com Pedro Leite Dias, diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica, um ponto notável da pesquisa é a resolução temporal -análise ano a ano do gelo. "Isso requer um nível de precisão no tratamento dessas amostras que seria inconcebível há cinco, seis anos atrás."
 
Ele também considera interessante o fato de o trabalho fazer conexão entre o que aconteceu na Groenlândia e algumas alterações climáticas na região equatorial. "Eu venho acompanhando alguns trabalhos sobre mudanças abruptas da região equatorial. E, em particular na África, há indícios de mudanças abruptas no clima nesse mesmo período, no final do último glacial", afirmou.
 
Botão
 
"Nós analisamos a transição da última era glacial até o presente período interglacial, e as mudanças no clima estão acontecendo tão de repente que é como se alguém tivesse apertado um botão", disse Dorthe Dahl-Jensen, também da Universidade de Copenhague.
 
Comparando a quantidade de poeira, oxigênio e hidrogênio nas camadas anuais dos testemunhos de gelo, os pesquisadores podem investigar como a mudança de clima se desenvolveu ano a ano. Rasmussen afirma que o próximo passo, agora, é estudar mais o passado do período interglacial.
 
Por AFRA BALAZINA da Folha de S.Paulo
 
set 12 2008

Queda na temperatura

O planeta Terra está próximo de viver uma nova Era do Gelo.
 
É o que garante um estudo desenvolvido pela Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) , que sugere que a temperatura da Terra está perto de sofrer uma "pequena queda" como conseqüência de uma diminuição da atividade solar.
 
A pesquisa foi apresentada por Victor Manuel Velasco Herrera, pesquisador do Instituto de Geofísica da Unam. Herrera falou sobre a nova Era do Gelo durante um ato público, e defendeu a tese de que a ruptura da geleira argentina Perito Moreno, ocorrida em pleno inverno, não foi provocada por mudanças climáticas, e sim por um processo natural ocasionado pela temperatura e precipitação do rio.
 
A geleira Perito Moreno rompeu-se no dia 9 julho na Patagônia argentina, num evento que ocorre a cada três anos e até o presente momento tinha como principal causa o aquecimento global.
 
80 anos de duração
 
Ainda segundo Herrera, a nova Era do Gelo teria uma duração de 60 a 80 anos e seu maior efeito seria a seca. O especialista garantiu que as previsões de que a temperatura vá aumentar em decorrência das mudanças climáticas estão erradas. "Essas previsões são incorretas porque se baseiam apenas em modelos matemáticos e apresentam resultados em cenários que não incluem, por exemplo, a atividade solar" – disse ele.
 
Os estudos do pesquisador apontam que, para a ocorrência das mudanças climáticas, existem fatores internos como os vulcões e a atividade humana, e os fatores externos, como o solar. Segundo ele, o Sol sempre foi visto como agente de aquecimento e nunca de esfriamento, porém o astro possui os dois papéis.
 
O mundo, de acordo com Herrera, vive uma época de transição onde a atividade solar diminuiu significativamente e que "portanto, em dois anos aproximadamente, haverá uma pequena Era do Gelo". Ainda neste século, as geleiras irão aumentar como já se pode observar nos Andes e em Perito Moreno.
 
A Era do Gelo
 
Há cerca de um milhão de anos, num período conhecido como Era Glacial ou Idade do Gelo, a Terra sofreu uma brusca queda de temperatura. Durante esse período, não houve calor suficiente durante o verão para derreter as geleiras que se formavam nas grandes altitudes no período de inverno.
 
As geleiras, aos poucos, se desprenderam das montanhas, ocasionando um enorme desgaste nas rochas enquanto arrastavam a argila por muitos quilômetros. Uma vasta área da região norte da Europa ficou coberta por uma grande camada de gelo.
 
O mundo todo foi afetado por este fenômeno que teve apenas como sobreviventes os animais com maior quantidade de pêlos.
 
A certeza da existência desse período foi confirmada por estudos realizados por geólogos em rochas e fósseis durante muitos anos, mas até hoje ainda não se descobriu a razão que levou a crosta terrestre a se resfriar.
 
Alguns especialistas no assunto afirmam que estamos vivendo um período quente e que em breve o mundo se resfriará e que a Terra realmente está à beira de uma nova Era Glacial.