Category: Fenômenos
out
16
2008
Doze doenças, incluindo febre amarela, gripe aviária, cólera e peste, podem se beneficiar da mudança.
BARCELONA – Doze doenças letais devem ganhar uma difusão maior no mundo por causa das mudanças climáticas, alertou a Sociedade de Conservação da Vida Selvagem na terça-feira.
A entidade com sede em Nova York e atuação em 60 nações disse que é preciso monitorar melhora a vida selvagem para que seja possível detectar prematuramente a forma de propagação dos agentes patogênicos nas novas condições climáticas.
As doze doenças citadas no estudo são: gripe aviária, babesiose transmitida por carrapatos, cólera, ebola, parasitas, peste, doença de Lyme, maré vermelha (por contaminação de algas), febre do vale do Rift, doença do sono, tuberculose e febre amarela.
"Mesmo distúrbios menores podem ter consequências abrangentes sobre quais doenças poderiam encontrar e transmitir conforme o clima mudar", disse Steven Sanderson, diretor da entidade.
"O termo ‘mudança climática’ evoca imagens de calotas de gelo derretendo e níveis do mar aumentando para ameaçar cidades e nações costeiras, mas tão importante quanto isso é como o aumento das temperaturas e a flutuação dos níveis de precipitação vão alterar a distribuição de agentes patogênicos perigosos", disse ele.
"Monitorar a saúde da vida selvagem vai nos ajudar a prever onde esses pontos de perturbação vão ocorrer e planejar como nos preparar", disse ele em nota.
O Painel Climático da ONU diz que as emissões de gases do efeito estufa, principalmente pela queima de combustíveis fósseis, estão elevando a temperatura, com consequências como secas, ondas de calor e derretimento de geleiras.
"Durante milênios as pessoas souberam de uma relação entre saúde e clima", disse William Karesh, membro da entidade, durante entrevista coletiva em Barcelona por ocasião do lançamento de um relatório que está sendo lançado no congresso da União Internacional para a Conservação da Natureza.
Segundo ele, o estudo não é uma lista exaustiva, e sim uma ilustração da variedade de doenças infecciosas que podem ameaçar humanos e animais.
Fonte: Estadão.com.br – Vida &
set
25
2008
Desertificação afetará alimentação mundial a partir de 2020, diz organização
A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) alertou hoje para o fato de que a mudança climática está agravando a desertificação e que esta poderá dificultar a alimentação da população mundial a partir de 2020.
"Só 11% da superfície do planeta é cultivável e tem que (produzir o suficiente para) alimentar a população mundial, que atualmente é de 6,3 bilhões de pessoas e que, em 2020, segundo cálculos, será de 8,2 bilhões", afirmou em entrevista coletiva o responsável pelo Programa de Meteorologia para a Agricultura da OMM, Mannava Sivakumar.
Frente a esses dados, "questões como os nutrientes do solo, a degradação da terra, a segurança alimentar global e a qualidade ambiental adquirem maior importância", acrescentou.
Para analisar esse fenômeno e seus efeitos, mais de 2.000 especialistas de quase 200 países, agências da ONU, órgãos internacionais e organizações ambientalistas participarão, de 3 a 14 de setembro, em Madri, da 8ª Conferência da Convenção da ONU de Luta contra a Desertificação.
Segundo as previsões da OMM, a temperatura do planeta aumentará 0,4° C nos próximos 20 anos, a quantidade de chuvas aumentará nas latitudes altas e diminuirá na maioria das regiões subtropicais, as regiões atingidas pela seca aumentarão e as ondas de calor e as precipitações intensas se tornarão cada vez mais freqüentes.
A organização meteorológica destaca que, se essas previsões se concretizarem, a degradação dos solos aumentará, devido às secas e à erosão decorrente de chuvas torrenciais.
Tudo isso prejudicará a qualidade do solo e, conseqüentemente, seu rendimento. Ao mesmo tempo, existe a possibilidade de a superfície cultivável da Terra diminuir.
Sivakumar acha que "a produção agrícola de muitos países africanos será gravemente comprometida pela mudança do clima, já que, provavelmente, a extensão das terras cultiváveis diminuirá, assim como seu rendimento", especialmente no norte, no oeste e algumas áreas do sul do continente.
As regiões mais secas da América Latina também serão afetadas pela mudança climática, que favorecerá a desertificação e a salinização de campos de cultivo.
Além disso, "no sul da Europa, o aumento das temperaturas e a maior ocorrência de secas, que provocaram graves incêndios na Grécia, reduzirão a disponibilidade de água, o potencial de energia hidroelétrica e a produtividade agrícola", acrescentou Sivakumar.
Para agravar a situação, "muitos dos agricultores de todo o mundo não sabem muito bem o que está acontecendo e de que forma a mudança climática afetará suas colheitas", disse Sivakumar, cuja organização oferece seminários destinados a camponeses de países em desenvolvimento.
Da Efe
Em Genebra
Em Genebra
Fonte: Uol – Ciência e Sáude
set
25
2008
Mudança no clima pode ameaçar segurança alimentar
A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) alertou hoje que a mudança climática "poderia chegar a ser uma séria ameaça para a segurança alimentar mundial", e que por isso é "crucial" adotar medidas imediatas para neutralizar seus efeitos.
O alerta foi feito pelo subdiretor-geral da FAO, Alexander Müller, diante mais de 140 especialistas de todo o mundo, em um seminário sobre "planejamento e estratégias de adaptação". A mudança climática está se transformando em um dos grandes desafios que a humanidade deverá enfrentar nos próximos anos, devido a seu impacto na produção, distribuição e acesso aos alimentos.
No entanto, se as causas forem combatidas, com a redução de emissões de gases do efeito estufa, "é crucial tomar também medidas imediatas para neutralizar seus efeitos" e encontrar formas para melhorar a capacidade de adaptação das pessoas e dos sistemas de produção alimentícia, afirmou.
A agricultura é o setor mais afetado pelas mudanças no clima e será "cada vez mais vulnerável no futuro". A situação de risco é especial para os países em desenvolvimento, que têm menos recursos para enfrentar os danos. O clima extremo e adverso "pode pôr em risco" a produção de arroz, que alimenta mais da metade da população do planeta. Por isso seria "muito benéfica" a introdução de novas variedades melhoradas deste cereal, com maior tolerância à salinidade.
A rápida transição para um maior uso dos biocombustíveis poderia ajudar a reduzir as emissões responsáveis do efeito estufa, "sempre que forem levadas em conta a segurança alimentar e as considerações ambientais". Mas a agricultura é também "culpada" quando se fala de mudança climática e a própria produção de arroz é uma das principais fontes de gases causadores do efeito estufa.
Além disso, a pecuária é responsável por 18% das emissões de gases do efeito estufa em nível mundial, enquanto o desmatamento é responsável por 18% das emissões de dióxido de carbono.
A melhora na gestão da pecuária e das práticas agrícolas e florestais "teria um impacto muito grande" para neutralizar os efeitos da mudança climática, segundo a FAO. Da mesma maneira, adotar práticas como a agricultura de conservação também ajudaria a manter grandes quantidades de carbono no solo.
Fonte: Terra Notícias
Fonte: Terra Notícias
set
14
2008
IPCC diz que geleiras estão derretendo com velocidade recorde
GENEBRA – As geleiras estão derretendo com velocidade recorde desde o início deste século, segundo um relatório apresentado nesta segunda-feira, 1, durante a 29ª Sessão do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática.
Segundo o documento, o ritmo atual de derretimento das geleiras dobrou, e em 2006, o último ano com dados disponíveis, foram registradas perdas de gelo sem precedentes.
"Se esta tendência continuar e os Governos não entrarem em acordo sobre as novas reduções de gás de efeito estufa em Copenhague em 2009, é possível que as geleiras desapareçam de muitas regiões montanhosas durante este século", adverte o relatório.
Apesar de os fenômenos extraordinários do degelo já estarem acontecendo nas duas últimas décadas do século passado, o ritmo tem se acelerado nos oito primeiros anos do atual.
As perdas de 1998, que foram históricas, já foram superadas três vezes: em 2003, 2004 e 2006.
De fato, o relatório evidencia que o degelo de 2004 e 2006 foram duas vezes maiores em comparação com 1998.
Segundo cálculos dos especialistas, a perda anual registrada na década 1996-2005 foi o dobro da produzida no período 1986-1995 e quatro vezes superior à do período 1976-1985.
Nos Alpes, a cobertura de gelo diminuiu 35% entre 1850 e a década de 1970, em uma diminuição que avançou 22% até 2000.
Em 2003, quando a Europa sofreu uma onda de calor, o derretimento do gelo ficou entre 5% e 10% em apenas um verão.
Os especialistas destacam que, além das conseqüências globais da perda das geleiras, o fornecimento de água de milhões de pessoas está ameaçado.
"É urgente, precisamos desenvolver e utilizar tecnologias modernas e estender a rede de vigilância para as regiões onde ainda não há sistemas de controle eficazes", afirmou o diretor do Serviço Mundial de Controle das Geleiras (WGMS, em inglês), Wilfrid Haeberli.
O estudo foi apresentado paralelamente à 29ª Sessão do IPCC, realizada esta semana em Genebra.
No ano passado, o IPCC dividiu o Prêmio Nobel da Paz com o ex-vice-presidente americano Al Gore "por seus esforços para construir e divulgar maior conhecimento sobre a mudança climática causada pelos seres humanos e sugerir medidas para contra-atacar e modificar o fenômeno."
O IPCC foi criado em 1988 com o objetivo de pesquisar e determinar se realmente estava acontecendo uma mudança climática e as conseqüências que esse fenômeno traria.
O grupo, formado por 400 especialistas de todas as partes do mundo, afirmou que a atividade humana tem provocado a mudança climática, descartando a visão de muitos céticos que negavam a evidência.
O relatório do IPCC também deixou claro que a mudança climática terá conseqüências nefastas para o planeta, como o derretimento das geleiras e das calotas polares, as conseqüentes inundação de terras e falta de abastecimento de água, além dos fenômenos meteorológicos extremos que o aquecimento global provocará.
As negociações mundiais para combater a mudança climática continuam atualmente após vários encontros internacionais, e está previsto que terminem em uma reunião que acontecerá em Copenhague em dezembro de 2009.
set
14
2008
Gelo mostra mudança abrupta do clima na Terra
Um estudo do gelo da Groenlândia localizado entre 1.452 e 1.642 metros de profundidade indica que o clima se alterou abruptamente no fim da última era glacial e que a temperatura aumentou até 10C de um ano para outro.
A pesquisa, publicada na revista "Science", lança um alerta para os cientistas em tempos de aquecimento global: transições dramáticas e totalmente imprevistas no clima podem acontecer em períodos extremamente curtos.
Sune Olander Rasmussen, da Universidade de Copenhague, afirmou à Folha que é preciso criar modelos que simulem as alterações abruptas do passado e, mais importante, que verifiquem se o clima tem "pontos de virada" — a partir dos quais ele muda de repente.
Segundo Rasmussen, os aquecimentos observados durante a era glacial (um há 14.700 anos e outro há 11.700 anos) mostram as alterações da circulação atmosférica de um ano para o outro. A última dessas viradas climáticas deu ao planeta a cara que ele tem hoje: as geleiras que cobriam boa parte do hemisfério Norte derreteram e o nível do mar subiu cerca de 100 metros.
Para chegar ao resultado, pesquisadores analisaram a quantidade de poeira, a composição da água e do ar preso no gelo. O gelo também indica que o aquecimento é iniciado com mudanças nas monções da região tropical, o que altera os padrões climáticos subitamente no pólo.
De acordo com Pedro Leite Dias, diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica, um ponto notável da pesquisa é a resolução temporal -análise ano a ano do gelo. "Isso requer um nível de precisão no tratamento dessas amostras que seria inconcebível há cinco, seis anos atrás."
Ele também considera interessante o fato de o trabalho fazer conexão entre o que aconteceu na Groenlândia e algumas alterações climáticas na região equatorial. "Eu venho acompanhando alguns trabalhos sobre mudanças abruptas da região equatorial. E, em particular na África, há indícios de mudanças abruptas no clima nesse mesmo período, no final do último glacial", afirmou.
Botão
"Nós analisamos a transição da última era glacial até o presente período interglacial, e as mudanças no clima estão acontecendo tão de repente que é como se alguém tivesse apertado um botão", disse Dorthe Dahl-Jensen, também da Universidade de Copenhague.
Comparando a quantidade de poeira, oxigênio e hidrogênio nas camadas anuais dos testemunhos de gelo, os pesquisadores podem investigar como a mudança de clima se desenvolveu ano a ano. Rasmussen afirma que o próximo passo, agora, é estudar mais o passado do período interglacial.
Por AFRA BALAZINA da Folha de S.Paulo
Fonte: Folha Online – Ambiente
set
12
2008
Baixa umidade do ar atinge menor índice do ano e SP entra em estado de alerta
A cidade de São Paulo teve o dia mais seco do ano nesta quarta-feira. O índice de umidade relativa do ar chegou a 16% na estação do Mirante de Santana (zona norte), do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). Antes, o dia mais seco do ano – 29 de julho — havia registrado índice de 19%. Com esse índice, inferior a 20%, a cidade entra em estado de alerta, de acordo com os padrões da OMS (Organização Mundial da Saúde).
O dia quente e seco acontece devido a uma massa de ar quente que predomina sobre a região Sudeste, o que inibe a formação de chuvas.
De acordo com o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) da Prefeitura de São Paulo, em alguns bairros da cidade a temperatura chegou a 30,4ºC, como é o caso de Jaçanã/Tremembé (zona norte).
Outros pontos da cidade também registraram umidade relativa baixa, como a região do aeroporto de Congonhas (zona sul), com 20%.
O tempo deve continuar seco em São Paulo até sexta-feira (22), com dias ensolarados e temperaturas elevadas.
De acordo com o CGE, no final de semana uma frente fria, que passará pelo litoral, deve chegar às demais regiões do Estado e trazer nuvens com possibilidades de pancadas de chuvas.
Saúde
A OMS alerta que índices de umidade relativa do ar inferiores a 30% caracterizam estado de atenção; de 20% a 12%, estado de alerta; e abaixo de 12%, estado de alerta máximo.
Os principais efeitos da baixa umidade são secura na garganta e nos olhos e problemas respiratórios.
Com a baixa umidade, a recomendação é a de interromper atividades físicas ao ar livre das 11h às 15h, por causa da combinação entre ar seco e a maior incidência de poluentes; e para ingerir muito líquido, para evitar desidratação.
Fonte: Folha Online – Cotidiano
set
12
2008
Umidade do ar chega a níveis de deserto em SP
O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu um aviso meteorológico com a previsão de baixo índice de umidade relativa do ar nesta quinta-feira. Os índices devem ficar, em média, em torno de 20%, podendo chegar a 15%, índice semelhante ao do deserto do Saara, onde a média varia entre 10% e 15%. Na quarta-feira (20), São Paulo teve 16%, índice mais baixo de 2008.
A previsão do instituto é que a temperatura máxima deva atingir 28ºC na cidade de São Paulo. O extremo sul do Estado deve ter céu parcialmente nublado e existe a possibilidade de chuviscos.
Na sexta-feira as temperaturas devem entrar em declínio na cidade de São Paulo, segundo o Inmet, e existe a possibilidade de chuva em áreas isoladas.
Saúde
A OMS alerta que índices de umidade relativa do ar inferiores a 30% caracterizam estado de atenção; de 20% a 12%, estado de alerta; e abaixo de 12%, estado de alerta máximo.
Os principais efeitos da baixa umidade são secura na garganta e nos olhos e problemas respiratórios.
Com a baixa umidade, a recomendação é a de interromper atividades físicas ao ar livre das 11h às 15h, por causa da combinação entre ar seco e a maior incidência de poluentes; e para ingerir muito líquido, para evitar desidratação.
País
Segundo o Cptec (Centro de Previsão de Tempo e estudos Climáticos), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), persistem as condições de chuva nesta quinta-feira em grande parte do Rio Grande do Sul.
No Estado de Santa Catarina as chuvas devem atingir algumas localidades entre a tarde e a noite.
A instabilidade — com possibilidade de período de chuva intercalado com sol a qualquer hora do dia — persiste no litoral da Bahia, de Sergipe e de Alagoas.
A região Norte do país deverá ter pancadas fortes de chuva devido a instabilidades tropicais em grande parte do Amazonas, norte do Pará, no Amapá e em Roraima.
Fonte: Folha Online – Cotidiana
set
12
2008
Queda na temperatura
O planeta Terra está próximo de viver uma nova Era do Gelo.
É o que garante um estudo desenvolvido pela Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) , que sugere que a temperatura da Terra está perto de sofrer uma "pequena queda" como conseqüência de uma diminuição da atividade solar.
A pesquisa foi apresentada por Victor Manuel Velasco Herrera, pesquisador do Instituto de Geofísica da Unam. Herrera falou sobre a nova Era do Gelo durante um ato público, e defendeu a tese de que a ruptura da geleira argentina Perito Moreno, ocorrida em pleno inverno, não foi provocada por mudanças climáticas, e sim por um processo natural ocasionado pela temperatura e precipitação do rio.
A geleira Perito Moreno rompeu-se no dia 9 julho na Patagônia argentina, num evento que ocorre a cada três anos e até o presente momento tinha como principal causa o aquecimento global.
80 anos de duração
Ainda segundo Herrera, a nova Era do Gelo teria uma duração de 60 a 80 anos e seu maior efeito seria a seca. O especialista garantiu que as previsões de que a temperatura vá aumentar em decorrência das mudanças climáticas estão erradas. "Essas previsões são incorretas porque se baseiam apenas em modelos matemáticos e apresentam resultados em cenários que não incluem, por exemplo, a atividade solar" – disse ele.
Os estudos do pesquisador apontam que, para a ocorrência das mudanças climáticas, existem fatores internos como os vulcões e a atividade humana, e os fatores externos, como o solar. Segundo ele, o Sol sempre foi visto como agente de aquecimento e nunca de esfriamento, porém o astro possui os dois papéis.
O mundo, de acordo com Herrera, vive uma época de transição onde a atividade solar diminuiu significativamente e que "portanto, em dois anos aproximadamente, haverá uma pequena Era do Gelo". Ainda neste século, as geleiras irão aumentar como já se pode observar nos Andes e em Perito Moreno.
A Era do Gelo
Há cerca de um milhão de anos, num período conhecido como Era Glacial ou Idade do Gelo, a Terra sofreu uma brusca queda de temperatura. Durante esse período, não houve calor suficiente durante o verão para derreter as geleiras que se formavam nas grandes altitudes no período de inverno.
As geleiras, aos poucos, se desprenderam das montanhas, ocasionando um enorme desgaste nas rochas enquanto arrastavam a argila por muitos quilômetros. Uma vasta área da região norte da Europa ficou coberta por uma grande camada de gelo.
O mundo todo foi afetado por este fenômeno que teve apenas como sobreviventes os animais com maior quantidade de pêlos.
A certeza da existência desse período foi confirmada por estudos realizados por geólogos em rochas e fósseis durante muitos anos, mas até hoje ainda não se descobriu a razão que levou a crosta terrestre a se resfriar.
Alguns especialistas no assunto afirmam que estamos vivendo um período quente e que em breve o mundo se resfriará e que a Terra realmente está à beira de uma nova Era Glacial.
Fonte: iG Educa – Acontece
set
12
2008
Sem norte nem sul
A inversão dos pólos magnéticos da Terra é tão inevitável quanto incerta. Nós só podemos assisti-la.
Os mais antigos traços de fogueiras feitas por hominídeos foram encontrados recentemente por arqueólogos israelenses no vale do rio Jordão. Há cerca de 790 mil anos, os Homo erectus que acenderam aqueles fogos não podiam se dar conta de que, naquela época, os pólos magnéticos norte e sul estavam em posições invertidas em relação aos dias de hoje, mas as tartarugas marinhas – mais antigas do que os dinossauros – precisaram ser capazes de se adaptar a essa mudança inúmeras vezes. Sabe-se agora que seu sistema biológico de orientação durante as longas migrações pelos oceanos depende da capacidade de perceber as mínimas variações no campo magnético para compor uma espécie de mapa cerebral de coordenadas geográficas. É algo como os dispositivos de posicionamento global (GPS), que usam satélites, disseram pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, em estudo publicado no final de abril na revista Nature.
O campo magnético da Terra tem origem no movimento de convecção domagna interior (como em uma panela de água fervendo). As cargas elétricas nesse mingau geram o campo magnético e sua orientação deixa rastros nas rochas que se solidificam na crosta. Em abril, geofísicos da Universidade Internacional da Flórida, em Miami, publicaram na revista Science os resultados do estudo de rochas que correspondem às três mais recentes inversões do campo magnético (a última cerca de 790 mil anos atrás) e concluíram que o período de transição dura em média sete mil anos. Verificaram também que o fenômeno não ocorre em todos os lugares com a mesma velocidade. Próximo do equador, o processo leva cerca de dois mil anos, enquanto nas médias latitudes pode levar cerca de dez mil anos.
Ímã de barra: Isso significa que há períodos em que a Terra não tem pólos magnéticos definidos. Segundo Igor Pacca, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, durante o processo de inversão, as linhas de campo mudam de direção e de intensidade. Para simplificar, ele sugere que se imagine um ímã de barra no interior da Terra. Há duas maneiras de se entender o processo. "Primeiro, girando o ímã e, com isso, se inverteriam as linhas de campo; outra, seria o encurtamento do ímã até que ele desaparecesse e começasse a crescer do lado contrário". Nenhuma ação humana seria capaz de impedir o processo.
Simulações feitas em computadores indicam que ele não tem hora certa para acontecer. E, quando acontece, mudam coisas importantíssimas no interior e no entorno do planeta.
De acordo com Pacca, a inversão altera, entre outras coisas, a intensidade das radiações que atingem a ionosfera, porque o campo magnético funciona como uma proteção que desvia o vento solar, um sopro contínuo de partículas eletricamente carregadas. A camada de ozônio que nos protege da radiação ultravioleta, menos densa em torno do atual pólo magnético sul (o famoso "buraco de ozônio"), seria igualmente afetada, podendo diminuir ou aumentar ou simplesmente ter seu "buraco" deslocado para outro canto do planeta. Alterações no clima seriam esperadas, além de efeitos no manto pastoso e na crosta terrestre que resultariam em fenômenos associados aos movimentos tectônicos das placas continentais (inclusive terremotos e vulcanismos).
O mundo não acaba a cada inversão magnética, mas vão levar vantagem as espécies mais capazes de conviver com a nova realidade, adaptando-se ou não biologicamente. Como as tartarugas! [Jeruza Pereira]
set
12
2008
Quando a Terra gira torna-se um imenso ímã
Como se forma o campo magnético da Terra?
É verdade que os pólos magnéticos norte e sul se invertem com o tempo?
"No interior da Terra, entre 2900 e 5200 quilômetros de profundidade, há uma camada de fluido constituída principalmente por ferro", explica o geofísico Igor Pacca, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo. Com o movimento de rotação do planeta o fluido também roda. Como a parte mais externa do globo é constituída por rochas sólidas, há um atrito entre as duas camadas, fazendo com que o fluido gire formando espirais. As correntes circulares que se formam comportam-se como os fios de um dínamo nos quais as cargas elétricas correm em círculo. Sempre que há cargas caminhando numa mesma direção forma-se campo magnético. É assim que a Terra transforma-se em um imenso ímã.
O campo tem sempre uma orientação, que se convencionou chamar de norte. Apesar de o norte magnético não coincidir exatamente com o norte geográfico, a diferença entre eles é pequena. Mas nem sempre foi assim. Estudos recentes de resíduos magnéticos em rochas e no solo dos oceanos mostraram que o campo magnético a Terra já teve sua polaridade invertida pelo menos 170 vezes em 100 milhões de anos. A última delas aconteceu há cerca de 700000 anos. Seria como se pegássemos uma bússola e ela apontasse para o nosso sul geográfico. Os cientistas ainda não conseguem explicar o porquê da inversão. Teoricamente, a Terra teria que passar a girar para outro lado para inverter a orientação do campo. Só que isso nunca aconteceu.
Como as inversões não ocorreram em períodos regulares não é possível prever quando será a próxima. Existem ainda variações menores na orientação do campo. Ele tende a sofrer pequenos desvios para oeste. Uma das explicações é que o núcleo central da Terra é sólido. Por isso ele anda mais devagar que a camada externa fluída, freando ligeiramente o movimento e provocando um pequeno desvio.
O núcleo externo da Terra é constituído de ferro derretido, praticamente líquido. Quando ele gira, junto com o movimento de rotação, o atrito com a área sólida formada por rochas faz com que se formem redemoinhos que parecem cilindros. As cargas elétricas que correm nos cilindros formam o campo magnético.