Category: Alimentação & Saúde

mai 15 2009

Sete refrigerantes têm substância cancerígena, revela pesquisa

Em uma pesquisa com 24 refrigerantes, a Pro Teste –Associação Brasileira de Defesa do Consumidor– verificou que 7 têm benzeno, substância potencialmente cancerígena. O benzeno surge da reação do ácido benzoico com a vitamina C. Como não há regra para a quantidade do composto em refrigerantes, usou-se o limite para água potável: 5 microgramas por litro.

Os casos mais preocupantes foram o da Sukita Zero, que tinha 20 microgramas, e o da Fanta Light, com 7,5 microgramas. Os outros cinco produtos estavam abaixo desse limite. São eles: Dolly Guaraná, Dolly Guaraná Diet, Fanta Laranja, Sprite Zero e Sukita.

Fernanda Ribeiro, técnica da Pro Teste, diz que é difícil estudar a relação direta entre o benzeno e o câncer em humanos, mas que já se sabe que a substância tem alto potencial carcinogênico e que, se consumida regularmente, pode favorecer tumores. "Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), não há limite seguro para ingestão dessa substância", diz.

A química Arline Abel Arcuri, pesquisadora da Fundacentro (Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho) e integrante da Comissão Nacional Permanente do Benzeno, diz que o composto vem sendo relacionado especialmente a leucemias e, mais recentemente, também ao linfoma.

O fato de entrar em contato com o benzeno não significa necessariamente que a pessoa vá ter câncer –há organismos mais e menos suscetíveis. "Mas não somos um tubo de ensaio para saber se resistimos ou não, e não há limites seguros de tolerância. O ideal, então, é não consumir", diz Arcuri.

O benzeno está presente no ambiente, decorrente principalmente da fumaça do cigarro e da queima de combustível. Na indústria, é matéria-prima de produtos como detergente, borracha sintética e náilon.

Nesse caso, não contamina o consumidor por se transformar em outros compostos. A principal preocupação é proteger o trabalhador da indústria.

O efeito do benzeno é lento, mas, quanto maior o tempo de exposição e a quantidade do composto, maior a probabilidade de desenvolver o tumor.

 
Adoçantes e corantes

A pesquisa da Pro Teste encontrou, ainda, adoçantes na versão tradicional do Grapette, não informados no rótulo. O problema é maior no caso de crianças, que devem ingerir menos adoçantes.

Foram reprovados outros seis produtos [Fanta Laranja, Fanta Laranja Light, Grapette, Grapette Diet, Sukita e Sukita Zero] que tinham os corantes amarelo crepúsculo –que, segundo estudos, favorece a hiperatividade infantil– e amarelo tartrazina –com alto potencial alergênico. "O amarelo crepúsculo já foi proibido na Europa. E muitas crianças têm alergia a alguns alimentos e, depois, descobre-se que o problema é o amarelo tartrazina", diz Ribeiro.

Os corantes são aprovados no Brasil, mas, para a Pro Teste, as empresas deveriam substituí-los por outros que não sejam problemáticos, assim como no caso do ácido benzoico. "É um problema fácil de ser resolvido", diz Ribeiro. 

Adoçantes e corantes

A pesquisa da Pro Teste encontrou, ainda, adoçantes na versão tradicional do Grapette, não informados no rótulo. O problema é maior no caso de crianças, que devem ingerir menos adoçantes.

Foram reprovados outros seis produtos [Fanta Laranja, Fanta Laranja Light, Grapette, Grapette Diet, Sukita e Sukita Zero] que tinham os corantes amarelo crepúsculo –que, segundo estudos, favorece a hiperatividade infantil– e amarelo tartrazina –com alto potencial alergênico. "O amarelo crepúsculo já foi proibido na Europa. E muitas crianças têm alergia a alguns alimentos e, depois, descobre-se que o problema é o amarelo tartrazina", diz Ribeiro.

Os corantes são aprovados no Brasil, mas, para a Pro Teste, as empresas deveriam substituí-los por outros que não sejam problemáticos, assim como no caso do ácido benzoico. "É um problema fácil de ser resolvido", diz Ribeiro.

Outro lado

A Coca-Cola, responsável pela Fanta, afirmou, em nota, que cumpre a lei e que os corantes de bebidas são descritos no rótulo. Afirma, ainda, que o benzeno está presente em alimentos e bebidas em níveis muito baixos.

A AmBev, que fabrica a Sukita, informou que trabalha "sob os mais rígidos padrões de qualidade e em total atendimento à legislação brasileira".

Cláudio Rodrigues, gerente-geral da Refrigerantes Pakera, que fabrica o Grapette, diz que a bebida tradicional pode ter sido contaminada por adoçantes porque as duas versões são feitas na mesma máquina. "Os tanques são lavados, mas pode ter ficado resíduo de adoçante no lote testado."

A Coca-Cola, responsável pela Fanta, afirmou, em nota, que cumpre a lei e que os corantes de bebidas são descritos no rótulo. Afirma, ainda, que o benzeno está presente em alimentos e bebidas em níveis muito baixos.

A AmBev, que fabrica a Sukita, informou que trabalha "sob os mais rígidos padrões de qualidade e em total atendimento à legislação brasileira".

Cláudio Rodrigues, gerente-geral da Refrigerantes Pakera, que fabrica o Grapette, diz que a bebida tradicional pode ter sido contaminada por adoçantes porque as duas versões são feitas na mesma máquina. "Os tanques são lavados, mas pode ter ficado resíduo de adoçante no lote testado."

 
 
out 14 2008

Médico explica os riscos do paracetamol e diz que não sabe por que remédio continua no mercado

Pesquisa divulgada pela revista científica New Scientist alerta sobre os riscos que o paracetamol traz para a saúde depois que foi divulgado que o analgésico se tornou a principal causa de insuficiência hepática nos Estados Unidos. O estudo mostra que a proporção de problemas no fígado causados pelo medicamento chegou a 51% do total em 2003. Em 1998, esta proporção era de 28%.
Os cientistas americanos responsáveis pelo estudo chegaram à conclusão de que 20 comprimidos de paracetamol por dia são suficientes para causar insuficiência hepática e levar à morte – a dose máxima recomendada é de oito.
 
Em entrevista ao UOL News, o toxicologista Anthony Wong, do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas, deu uma aula sobre o que se deve e o que não se deve fazer no uso do paracetamol, admitiu não saber por que o remédio ainda continua no mercado e explicou que a dosagem perigosa varia de pessoa para pessoa.
 
"A quantidade de comprimidos é altamente variável. Só aqui no Brasil tem comprimido de 750mg. Na Inglaterra só tem de 500mg e de 360mg. Nos Estados Unidos existem comprimidos de até 1g, mas isso ainda é muito restrito. Nos Estados Unidos, inclusive, já há restrições, com advertência de caixa preta, para que as pessoas não tomem paracetamol com bebida alcoólica. Se tomar mais de 3 doses de bebida alcoólica não pode tomar paracetamol."
 
Ainda sobre a dosagem, lembrou: "20 comprimidos é uma dose média, mas há pessoas que já tiveram falência hepática tomando 8 comprimidos de 500mg, que dá 4g. É importante salientar que a máxima diária são 4g de paracetamol, desde que não tenha álcool, problema hepático ou o paciente não esteja tomando um outro remédio."
 
Nada de paracetamol na ressaca
Ele contou que a velha prática de tomar um comprimido com paracetamol em dias de ressaca para combater a dor de cabeça deve ser completamente abolida da vida das pessoas. "É uma boa advertência para essa época de natal e ano novo. Não se pode tomar um porre e depois tomar paracetamol, pois pode causar lesão hepática fulminante mesmo em doses menores do que 20 comprimidos. Também não pode tomar aspirina, porque ela aumenta o sangramento gástrico."
 
Para Anthony Wong, a pesquisa vem numa boa hora. "É importante e muito bem-vindo o alerta, porque os americanos e principalmente os brasileiros tomam remédios como se fossem ‘M&Ms’. Não pode." Ele contou que nos Estados Unidos, além da morte causada por falência hepática, o paracetamol é a principal causa de morte por intoxicação de todos os remédios que existem no país."
 
"Então por quer ainda está no mercado?", perguntou a jornalista. "Nos Estados Unidos tem um forte trabalho de marketing em cima do FDA. Já na Europa há muitas restrições. Na Inglaterra, por exemplo, só se pode comprar uma caixa por mês."
 
Segundo o médico, febre muito alta, jejum prolongado ou vômito prolongado em crianças ou adultos são muito perigosos. "Isso esfolia a pessoa de radicais que são necessários para neutralizar o paracetamol."
 
O efeito no fígado
Segundo o médico, o efeito do paracetamol no fígado é tardio. "Depois de 12 horas a pessoa começa a sentir náuseas. Depois de 24 horas começa a ter dor de cabeça muito forte por causa da lesão do fígado. E aí não adianta dar nada, porque o antídoto só funciona, na melhor das hipóteses, antes de 24 horas. Depois disso é muito tarde."
 
Ele contou que há 3 anos saiu na Pediatrics um estudo alertando para esse efeito, dizendo que uma criança que tomou paracetamol e está vomitando poderia estar com overdose de paracetamol. "E tanto é verdade que muitos centros já aplicam um antídoto quando uma criança que tomou paracetamol é atendida e a mãe não sabe dizer qual foi a dose. Depois fazem a dosagem. Se for baixa, suspendem o antídoto."
 
O paracetamol e a febre
Anthony Wong lembrou que vários antigripais contêm paracetamol. Lillian pediu para o médico citar alguns nomes-fantasia para que as pessoas pudessem saber de que remédio estão falando. Citou como alguns exemplos Tylenol, Naldecon, Cheracap, Cedrin e Dimetap. "Quase todos os antigripais têm paracetamol e muito facilmente causam overdose."
 
O especialista explicou que não se deve nunca começar um tratamento de gripe com aspirina. "Motivo: existe uma doença chamada Síndrome de Reye, que causa a destruição fulminante do fígado se a pessoa tomar aspirina e tiver propensão genética de destruição maciça no fígado." Ele contou que essa advertência sobre o uso da aspirina foi feita no fim da década de 70, começo da década de 80.
 
"Quando saiu essa advertência, a incidência de Reye nos Estados Unidos era mais ou menos de mil casos por ano. Praticamente 95% das pessoas morriam. No Brasil não era muito menor. Depois da advertência, o número de casos caiu para 25 ao ano. Isso demonstra que existe uma associação causal com uso da aspirina."
 
Alternativas
O médico deu algumas alternativas ao paracetamol. "Tenho uma certa preferência pela dipirona (novalgina), mas o ibuprofeno (advil para adulto e alivium para criança), que está entrando agora no mercado, é bastante seguro." Wong lembrou que nem a aspirina nem o paracetamol podem ser ingeridos em casos de dengue. O primeiro porque causa sangramento e o segundo porque ataca o fígado.
 
Sobre reação anafilática, Wong explicou que independe do medicamento. "Pode acontecer com qualquer remédio, desde dipirona, pinicilina (o mais comum de causar alergia), ácido acetilsalicílico, até picada de abelha. A dica é: evite ao máximo tomar remédio. Se precisar, tome com cautela, com cuidado, mesmo que seja a 1/10 de vez que estiver tomando aquele remédio."
 
O paracetamol e a estatina
A jornalista Lillian Witte Fibe perguntou a ele se é perigoso misturar o paracetamol com a estatina, que é usada para o controle do colesterol. "Ainda não foi demonstrada uma associação entre os dois. Parece que atuam em lugares diferentes dentro da célula hepática. Sabemos que alguns antibióticos, como a rifampicina, usada para tuberculose, e também alguns antibióticos da linha do cipro podem se associar ao paracetamol e provocar uma lesão de fígado."
 
 

 

set 23 2008

Excesso de flúor pode ser mais prejudicial do que sua ausência

A eficácia do flúor em relação à prevenção de cás e à manutenção de dentes saudáveis já foi atestada por vários estudos. Sua presença não é essencial, mas a substância é, sem dúvida, um grande aliado do fortalecimento da estrutura dentária, por meio de sua incorporação nos cristais do esmalte. No entanto, é preciso prestar atenção para os excessos.
 
A atuação do flúor deixa o esmalte menos suscetível às ações de microrganismos, o que torna importante sua aplicação tanto nos dentes de leite quanto nos permanentes.
 
A presençã do flúor em dose exagerada no organismo, porém, é prejudicial, podendo ocasionar dois tipos de intoxicação: a aguda e a crônica.
 
A primeira ocorre quando há alta concentração de flúor em algum produto aplicado no paciente. No uso de gel fluoretado, por exemplo, o dentista não deve deixar de colocar o sugador que evita a deglutição do gel tóxico. Assim, caso o paciente se queixe de dores estomacais, náuseas e vômitos, o indicado é a ingestão de leite.
 
O cálcio contido no leite ao se combinar com o flúor, forma o fluoreto de cálcio, sal insolúvel não absorvível pelo organismo. Nos quadros mais graves, em que o paciente já demonstra manifestações neurológicas e parte do flúor já foi absorvido, é necessária a lavagem gástrica ou até a hemodiálise.
 
A intoxicação crônica, mais conhecida como fluorose, ocorre quando um produto com baixa concentração de flúor é utilizado durante um longo período, geralmente meses ou anos. A taxa de flúor é baixa, porém maior do que os níveis aceitáveis.
 
A deglutição de pasta de dente ou soluções bucais e eventuais erros na dosagem de flúor colocado na água para o abastecimento da população são os principais causadores da fluorose.
 
Existem ocorrências de fluorose endêmica nas regiões em que a água não é fluoretada artificialmente, como na maioria das cidades, porque o lençol freático contém uma quantidade de flúor maior do que a necessária. Se o nível de flúor na água é maior do que uma parte por milhão (1ppm), a intoxicação pode ocorrer.
 
A fluorose é identificada pelo aparecimento de manchas nos dentes. Sua versão leve, por exemplo, cria manchas brancas, geralmente estrias horizontais que acompanham toda a face do dente.
 
Dependendo da severidade do caso, isto é, do tempo de exposição permanente do indivíduo ao flúor, a fluorose pode gerar manchas amarelas, amarronzadas e, nos casos mais graves, perda do esmalte dentário.
 
Em todas as circunstâncias, não há tratamento. Uma vez manchado o dente, não há o que fazer; porém, se a mancha for pequena, pode-se lixar a estrutura dentária na tentativa de removê-la, o que não é recomendado pelos dentistas em todos os casos.
 
As intoxicações são raras, mas ocorrem principalmente em crianças que engolem o gel colocado nas moldeiras no momento da aplicação do flúor e o dentifrício das escovações diárias. A ingestão acidental do flúor da pasta pode ser evitada nas crianças com menos de três anos de idade, usando para escovações creme dental sem flúor.
 
Para o adulto, usa-se a chamada técnica transversal, que consiste em colocar a pasta no sentido transversal das cerdas, ao invés de aplicá-la na extensão da escova, o que ocuparia cerca de um terço do seu comprimento.
 
Segundo a professora da Faculdade de Odontologia da Universidade de Brasília (UnB), Érica Negrini Lia, é desperdício usar mais dentifrício além da porção indicada.

"A limpeza não é feita pela espuma, e sim pelo ato mecânico da escovação", ensina ela. Assim, a qualidade da higienização é mais importante do que a quantidade de escovações e de creme dental usado na limpeza.

Fonte: Saúde em Movimento

set 19 2008

“Transgênicos são inseguros e têm que ser banidos”

São Paulo, Brasil — Diretor executivo do Instituto pela Tecnologia Responsável e autor de dois livros-bomba contra os transgênicos – Sementes da Decepção e Roleta Genética -, Jeffrey Smith dedica boa parte do seu tempo viajando o mundo para dar palestras e alertar governos sobre os riscos da biotecnologia aplicada aos alimentos. Não são poucos.
 
“Diferentemente da poluição química, os transgênicos se auto-propagam e podem se tornar elementos fixos de nosso meio ambiente. Com tamanha herança, me parece razoável e prudente congelar qualquer novo lançamento de transgênicos até que tenhamos uma melhor compreensão do DNA, e as ramificações de nossa intervenção”, afirma Smith, que esteve no Brasil em outubro e participou do seminário Alimentos transgênicos e seus impactos na saúde, no meio ambiente e na economia. Em seguida, concedeu esta entrevista à Revista do Greenpeace.

1 – Qual é a sua principal preocupação em relação aos transgênicos hoje em dia: contaminação genética, riscos à saúde humana ou a ameaça econômica dessa tecnologia?

R – Eu me especializei nos perigos à saúde dos organismos geneticamente modificados (OGMs), que hoje estão ligados a milhares de doenças, casos de esterilidade e morte, milhares de reações tóxicas e alérgicas em humanos, e danos a virtualmente todo órgão e sistema estudados em animais de laboratórios. Esses perigos, no entanto, ganham ainda mais força pelo fato dos OGMs contaminarem as plantações não-transgênicas e as espécies selvagens, permanecendo no meio ambiente por muito tempo.

2 – O governo francês anunciou recentemente que vai congelar o cultivo de transgênicos no país até que seja possível provar que esses organismos não oferecem risco aos humanos e ao meio ambiente. Outros países europeus fizeram o mesmo. Por outro lado, países como Brasil, China e Índia estão ampliando suas plantações de transgênicos. Como você explica isso?

R – Está claro para mim que o assunto ganhou força no Brasil graças a uma combinação de desinformação e forte influência da Monsanto e outras corporações multinacionais, além dos Estados Unidos. Isso é também verdade para outros países que estão apostando nos transgênicos, mas sua adoção é um passo ruim em termos econômicos para os agricultores e para a economia do país em geral.

O impacto dos transgênicos nos Estados Unidos e no Canadá foi um desastre econômico. As exportações de milho e canola para a Europa se perderam, as vendas de soja estão baixas e o governo americano gasta de US$ 3 bilhões a US$ 5 bilhões por ano para assegurar os preços das colheitas de transgênicos que ninguém quer. A expansão dos transgênicos no Brasil prejudica a oportunidade do país de se aproveitar do crescente mercado para produtos não-transgênicos.

3 – Muitos países têm regras sobre a rotulagem de produtos que são fabricados com matéria-prima transgênica, mas quase ninguém as respeita. No Brasil, acontece o mesmo. Como o direito do consumidor de escolher entre transgênicos e não-transgênicos pode ser respeitado?

R – A rotulagem funciona bem na União Européia, mas é praticamente ignorada no Brasil. Isso é uma vergonha terrível e deixa os consumidores sem escolha de obter produtos não-transgênicos mais saudáveis. Não conheço os recursos legais ou legislativos que os brasileiro podem ter para forçar as empresas a seguir a lei. Nos Estados Unidos, não temos regras de rotulagem para transgênicos. Como uma alternativa, estamos promovendo um rótulo que diz “Não-transgênico”. Já os vi em alguns produtos no Brasil. Sem essa afirmação (ou um rótulo de produto orgânico), consumidores teriam que evitar todos os produtos brasileiros contendo derivados de soja ou óleo de semente de algodão – que são plantados no país. Para produtos americanos, os consumidores também teriam que evitar derivados de milho e canola, que são em sua maioria transgênicos.

4 – Em sua apresentação no seminário sobre transgênicos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, você observou que quanto mais os consumidores sabem sobre os transgênicos, mais eles o rejeitam. Que tipo de informação ainda não chegou ao público e que deveria chegar imediatamente, devido à sua importância?

R – Variedades de milho e algodão são geneticamente modificados para produzir uma proteína pesticida chamada toxina Bt (do Bacillus thuringiensis). Ela é usada por agricultores na forma de spray e por isso foi considerada inofensiva para o ser humano. Mas isso é claramente equivocado. As pessoas expostas ao spray com a toxina Bt tiveram todos os tipos de sintomas alérgicos e ratos que ingeriram o Bt tiveram alterados seus sistemas imunológicos e apresentaram crescimento anormal e excessivo de células. O Bt encontrado em alguns transgênicos é mais tóxico e milhares de vezes mais concentrado do que o spray, e vem sendo acusado por inúmeros casos de doenças em humanos e outros seres vivos.

Outro problema é que os genes inseridos nesses organismos geneticamente modificados podem ser transferidos da comida para a bactéria que temos em nosso aparelho digestivo ou outros órgãos internos. Essa possibilidade foi descartada antes baseada suposição de que genes ingeridos são destruídos rapidamente pelo sistema digestivo. Não é bem assim. Estudos em animais demonstraram que o DNA ingerido por viajar pelo corpo, até mesmo até o feto por meio da placenta. Os transgenes de plantações geneticamente modificadas ingeridos por animais foram encontrados no sangue, fígado e rins. O único teste publicado sobre alimentação humana com comida transgênica verificou que o material genético inserido na soja transgênica foi transferido para o DNA das bactérias do intestino.

Agora, junte os dois riscos acima a um terceiro. Se o gene do milho que cria a toxina Bt for transferido para as bactérias de nosso sistema digestivo (como partes do gene da soja vem fazendo), nossa flora intestinal pode ser transformada numa fábrica viva de pesticida.

Além desse problema, animais de laboratório alimentados com comida transgênica tiveram problemas de crescimento, no sistema imunológico, sangramento estomacal, crescimento anormal e potencialmente cancerígeno de células no intestino, desenvolvimento anormal de células sanguíneas, problemas nas estruturas celulares do fígado, pâncreas e testículos, alteração da expressão genética e do metabolismo celular, lesões no fígado e rins, fígados parcialmente atrofiados, rins inflamados, cérebros e testículos menos desenvolvidos, fígados, pâncreas e intestinos inchados, redução das enzimas digestivas, alta no açúcar no sangue, inflamação no tecido pulmonar, e aumento nas taxas de mortalidade. Dezenas de agricultores relataram que variedades transgênicas de milho causaram esterilidade em seus porcos e vacas, pastores afirmam que 25% de suas ovelhas morreram ao comer plantas de algodão Bt (cerca de 10 mil ovelhas mortas), e outros afirmam que vacas, búfalos, galinhas e cavalos também morreram após comerem plantações transgênicas. Agricultores filipinos em pelo menos cinco vilarejos ficaram doentes quando o milho Bt de plantações vizinhas estava polinizando e centenas de trabalhadores na Índia relataram reações alérgicas ao manusear algodão Bt.

5 – Pessoas que comem produtos transgênicos por longos períodos podem ter problemas de saúde? Há casos ou evidências disso?

R – Uma das afirmações mais anti-científica e perigosa já feita pela indústria de biotecnologia é que milhões de pessoas nos Estados Unidos comeram alimentos transgênicos durante uma década e ninguém ficou doente. Pelo contrário, os transgênicos já podem estar contribuindo para sérios problemas de saúde, mas como ninguém estava monitorando isso, pode levar várias décadas até que seja possível identificar esses problemas.

Nos anos 80, cerca de 100 americanos morreram e entre 5 mil e 10 mil ficaram doentes devido a um suplemento alimentar transgênico chamado L-tryptophan. Apesar de ter havido um esforço concentrado para desviar a culpa para outras causas, é quase certo que a epidemia aconteceu devido ao processo de engenharia genética. A epidemia quase foi ignorada. A razão pela qual foi descoberta foi que os sintomas eram únicos, agudos e apareceram rapidamente.

Na Inglaterra, alergias à soja dispararam em 50% depois que a soja transgênica foi introduzida no mercado. Mas sem pesquisas e testes clínicos em seres humanos, não podemos saber se a soja transgênica é realmente a culpada. Os alimentos transgênicos podem estar contribuindo para vários tipos de problemas de saúde nas pessoas, mas a essa ligação pode não ser descoberta em anos, se é que vai.

6 – Em suas apresentações pelo mundo e em seus livros, você fala sobre vários estudos que relatam sérios problemas com os transgênicos. Sendo assim, como órgãos governamentais nos Estados Unidos, Brasil e na Europa aprovam esses produtos?

R – Autoridades governamentais pelo mundo têm sido coagidas, pressionadas e pagas pela indústria de biotecnologia. Na Indonésia, a Monsanto pagou propinas e fez pagamentos questionáveis a pelo menos 140 autoridades, para ter seu algodão transgênico aprovado. Na Índia, uma autoridade alterou o relatório sobre o algodão Bt da Monsanto para melhorar os dados de rentabilidade do produto. No México, uma autoridade governamental ameaçou um professor da Universidade da Califórnia, afirmando saber qual escola os filhos dele frequentavam, tentando obrigá-lo a não publicar uma evidência incriminadora que adiaria a aprovação de transgênicos no país. A maior parte da manipulação e pressão política é mais sutil, mas na FDA americana (órgão que fiscaliza a produção de alimentos e medicamentos nos Estados Unidos), a pessoa encarregada das políticas de transgênicos era Michael Taylor, ex-advogado da Monsanto e depois, vice-presidente da empresa. A FDA afirmava que os transgênicos não eram substancialmente diferentes e que nenhum estudo de segurança era preciso. Anos depois, documentos da FDA tornados públicos após uma ação judicial mostraram que a afirmação do órgão era uma fraude. O consenso entre os cientistas da própria agência era que alimentos transgênicos eram perigosos e podeia criar alergias difíceis de se detectar, além de toxinas, novas doenças e problemas nutricionais. Eles exigiram de seus superiores novos estudos de segurança.

Outras agências reguladores estão sob a mesma influência da indústria de biotecnologia. Além disso, uma análise pormenorizada das pesquisas enviadas pelas empresas mostram como eles são meticulosamente rigorosos em evitar a descoberta de problemas nos transgênicos.

7 – Quando o assunto está em debate, alguns dizem que a tecnologia dos transgênicos é importante para a humanidade enfrentar (e vencer) a forme. Você acredita nisso?

R – Alimentos transgênicos não contribuem para combater a fome no mundo. Se os transgênicos fossem uma solução verdadeira para a fome, todos as cinco afirmações abaixo deveriam ser verdadeiras. Então, os transgênicos deveriam ser:

  1 – seguros;
  2 – produzir colheitas maiores;
  3 – promover colheitas consistentes e confiáveis;
  4 – Ser melhores que as opções concorrentes;
  5 – Ser a fome solucionada pelo aumento da produtividade nas colheitas.

Todas as cinco afirmações são falsas. Os alimentos transgênicos não são seguros. As colheitas de transgênicos podem ser perigosas inconsistentes. Milhares de agricultores de algodão Bt endividados na Índia cometeram suícidio. Outros métodos são bem melhores para melhorar as colheitas e a vida dos agricultores. O aumento na produtividade da plantação não erradica, por si só, a fome. Especialistas e organizações mundo afora condenam as empresas de biotecnologia por afirmarem que as plantações de transgênicos resolverão a fome no mundo. Um relatório da ActionAid concluiu que em vez de aliviar a fome no mundo, a tecnologia dos transgênicos “pode exarcebar a insegurança alimentar, aumentando o número de pessoas com fome.”

8 – Você escreveu um livro – Sementes da Enganação – para expor os erros da indústria. Teve algum sucesso? A indústria mudou a forma de agir?

R – O livro se tornou o livro sobre transgênicos mais vendido do mundo e a base de informação para muitos sobre o assunto. Também teve um grande impacto nos responsáveis por elaborar políticas públicas. Por exemplo, fui informado de que membros do board de supervisores do condado de Trinity, na Califórnia leram o livro e criaram uma zona livre de transgênicos na região. Teve também impacto crucial no estado de Vermont, nos EUA, que se tornou o primeiro no país a regular os transgênicos.

O livro é uma série de histórias, e sendo assim se torna difícil de ser usado como referência específica em relação a problemas com transgênicos. Meu segundo livro, Roleta Genética, é muito mais fácil para ser usado pelos responsáveis por políticas públicas. Tem um guia de duas páginas sobre os 65 riscos mais comuns dos transgênicos, cada um deles com um sumário executivo. Pode ser então lido com rapidez ou estudado em detalhe. Tem sido fornecido para governos em todo o mundo como uma evidência de que o alimento transgênico é inseguro e precisa ser banido.

9 – Muitos cientistas afirmam que a tecnologia transgênica não está pronta para chegar ao mercado consumidor. Estará algum dia?

R- Difícil dizer se vamos aprender como alterar o DNA de plantas de uma forma segura e previsível. Hoje não estamos nem perto disso; as empresas estão oferecendo produtos de uma ciência que ainda está em seu estágio infantil para milhões de pessoas e liberando eles no meio ambiente onde podem alterar permanentemente o ecossistema.

A terapia de genes humanos e medicamentos transgênicos tem uma relação de risco/benefícios bem diferente do que a tecnologia aplicada em alimentos e plantações. A exposição é menos e o controle é maior. É mais fácil justificar o emprego dessas tecnologias, mas os processos têm riscos únicos que devem ser respeitados.

10 – Você afirma: “Os transgênicos podem ser o próximo grande problema, depois do aquecimento global e do lixo atômico.” Por que?

R – Diferentemente da poluição química, os transgênicos se auto-propagam e podem se tornar elementos fixos de nosso meio ambiente. Me parece razoável e prudente congelar qualquer novo lançamento de transgênicos até que tenhamos uma melhor compreensão do DNA, e as ramificações de nossa intervenção.
 
Fonte: GreenPeace
set 16 2008

Refrigerante cola ‘aumenta risco de osteoporose’, diz estudo

Mulheres que bebem regularmente refrigerantes à base da planta cola, como a Coca-Cola e a Pepsi-Cola, podem estar aumentando seu risco de ter osteoporose, segundo um estudo publicado na revista científica American Journal of Clinical Nutrition.
 
A pesquisa envolvendo 2,5 mil pessoas, homens e mulheres, revelou que apenas este tipo de refrigerante está ligado à baixa densidade mineral dos ossos em mulheres, independentemente da idade ou de quanto cálcio elas ingerem diariamente.
 
A osteoporose é mais comum em mulheres que já passaram da menopausa e faz com que os ossos fiquem mais fracos, quebrando-se com maior facilidade.
 
O estudo liderado por Katherine Tucker, da Universidade Tucks, de Boston, usou informações sobre a dieta das pessoas e a densidade óssea delas na coluna e em três locais dos quadris, as áreas mais afetadas pela doença.
 
Os homens estudados bebiam uma média de cinco refrigerantes à base de cola por semana, enquanto as mulheres tomavam quatro.
 
O consumo das bebidas foi relacionado à menor densidade nos ossos do quadril, mas não na coluna, em mulheres. Já nos homens, não foi descoberta qualquer relação entre osteoporose e os refrigerantes.
 
Outras pesquisas já haviam indicado que o consumo de Pepsi-Cola, Coca-Cola e similares era prejudicial aos ossos porque substituiria o leite na dieta das pessoas, mas, no estudo da Universidade Tucks, as mulheres que bebiam mais refrigerantes não bebiam menos leite que as demais.
 
No entanto, a ingestão total de cálcio, incluindo feijão e folhas verde-escuras, era menor nas mulheres que consumiam mais refrigerantes.
 
Ácido fosfórico
 
Um ingrediente dos refrigerantes cola, o ácido fosfórico, pode ser o responsável pela ligação com a osteoporose, mas este vínculo ainda não foi completamente estudado.
 
"Acreditamos que especialmente nesse tipo de refrigerante e em doses diárias, o ácido fosfórico cria uma acidez no sangue. O cálcio seria então retirado dos ossos para que o corpo voltasse a um equilíbrio. Mas esta visão é controversa", explicou Katherine Tucker.
 
Um porta-voz da Sociedade Nacional de Osteoporose da Grã-Bretanha disse que já havia informações sobre o impacto do ácido fosfórico na saúde dos ossos, mas, segundo ele, "o interessante sobre esse estudo é que as mulheres estudadas tinham uma boa ingestão de cálcio e ainda assim tinham a densidade óssea afetada pelo fato de beberem apenas quatro latas de refrigerantes cola por semana, o que não é muito".
 
Mas um porta-voz da Associação Britânica de Refrigerantes disse que "não há evidência científica de que o fosfato, usado na forma de ácido fosfórico em alguns refrigerantes, tenha qualquer efeito prejudicial na saúde dos ossos".